Gabriel Evangelista

31 Janeiro, 2014

Chamo-me Gabriel Evangelista e, entre 1999 e 2004, frequentei o Curso de Design, opção Design Industrial, na Escola Superior de Artes e Design das Caldas da Rainha.

Do meu tempo de estudante guardo bastantes memórias, principalmente das atividades culturais dinamizadas pelos estudantes da ESAD.CR e as amizades que fui criando ao longo da minha estadia pela cidade. Existe um dinamismo particular naquela escola, que se estende para além do âmbito escolar. As atividades entre estudantes e entre professores eram uma prática comum o que contribuía bastante para um ambiente criativo e enriquecedor. Sinto que, tanto os meus colegas, como os professores, foram fundamentais para a minha formação, não só a nível profissional mas também pessoal.

Considero que as aulas foram alicerces importantes, tanto a nível teórico como prático, pois é através do intercâmbio de ideias e críticas e da partilha entre colegas, que conseguimos elevar o potencial aí formado. Ainda hoje guardo também como referência alguns dos professores e reconheço a importância que eles tiveram no meu desenvolvimento enquanto estudante.

Efetivamente, acima de tudo na ESAD.CR, aprendemos a pensar e a olhar para o mundo que nos rodeia de uma forma mais critica e construtiva, contribuindo para isso todo o ambiente criado nesta escola.

Acerca do meu percurso profissional, penso que ele terá começado no 5º ano do curso, altura em que pude colaborar com um gabinete de arquitetura nas Caldas da Rainha. Ainda durante o curso criei, com alguns colegas, um grupo criativo dedicado à banda desenhada e ilustração, através do qual não só publicámos revistas independentes de BD, como também criámos feiras de fanzines, festas estudantis, instalações artísticas e performances.

Após terminar a licenciatura continuei este percurso e fui participando em diversos festivais, fanzines e revistas de BD e ilustração. A par desta atividade, iniciei o percurso de designer industrial, como freelancer, desenvolvendo produtos para uma empresa de brinquedos e colaborando com um estúdio de design de mobiliário. Tive também a oportunidade de entrar para um estúdio de publicidade, onde pude conhecer melhor esse meio profissional.

Mais tarde fui convidado para trabalhar como responsável do departamento criativo de um estúdio de design em Leiria. Nessa altura pude viajar para Itália e ter uma formação mais aprofundada em modelação 3D. A minha estadia nesta empresa acabou por se revelar bastante enriquecedora, pois permitiu-me elaborar diversos tipos de trabalhos criativos, dar formação, conhecer profissionais de diversas áreas e visitar diversas instituições de ensino.

Não me sentindo completamente realizado do ponto de vista profissional, fui-me dedicando cada vez mais ao meu trabalho na área da ilustração e banda desenhada que, por sua vez, foi ganhando mais maturidade e abrindo portas. A determinada altura comecei a colaborar com uma editora de banda desenhada em Lisboa e, pouco depois, também como ilustrador político para uma revista nacional. Mais tarde surgiu o convite para integrar uma empresa de videojogos, tendo começado aí uma carreira profissional como Concept Artist e Diretor de Arte, desenvolvendo jogos para consolas, mobile e redes sociais. Esta atividade tornou-se a ocupação principal da minha carreira e atualmente colaboro como Designer e Concept Artist para um estúdio de jogos. A par desta profissão vou trabalhando também como freelancer em projetos de Banda Desenhada e Ilustração, tanto para Portugal como para fora do país. Alguns dos meus trabalhos podem ser vistos em http://www.gevan.org/ e https://www.facebook.com/GEvanArtwork.

Apesar de não trabalhar especificamente como designer industrial, sinto que a formação que desenvolvi na ESAD.CR contribuiu bastante para a minha atividade atual, sendo uma parte importante de mim como profissional. As bases que recebi influenciam claramente a forma como abordo cada projeto novo.

Da Rede IPLeiri@lumini espero essencialmente a partilha de experiências. Atualmente Portugal passa por momentos difíceis e penso que o cruzamento de ideias e percursos mostra a cada um de nós que não estamos sozinhos, o que nos dá motivação para continuar a criar o nosso caminho. É benéfico não só para quem ainda é estudante, como para quem já tem uma carreira mais madura. Ao ver testemunhos de colegas mais velhos, dá-me motivação para continuar a trabalhar e ter algo para contar e fazer o meu bocadinho de história. Os casos de colegas mais novos fazem-me lembrar o meu próprio percurso inicial, as esperanças que tive e as que tenho hoje. Faz-me sentir que ainda tenho muito para aprender e fazer na minha carreira profissional e na minha vida pessoal.

Para o desenvolvimento da Rede IPLeiri@lumni, sugiro a criação de encontros entre profissionais, antigos e atuais estudantes. Seria mais uma forma, talvez mais direta, de partilhar experiências. Principalmente para quem é ainda estudante, penso ser importante o contacto com o mundo “pós ensino”.

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