Rui Rosa

10 Março, 2014

O meu nome é Rui Rosa e em 2000 ingressei na Escola Superior de Tecnologia, Gestão, Artes e Design de Caldas da Rainha, para frequentar o curso de Design (Tecnologias Gráficas), que concluí no ano letivo de 2006/2007.

Do meu tempo de estudante tenho várias memórias. Foi um período bastante positivo e rico em experiências novas. Conheci pessoas muito interessantes, das várias áreas de estudo e oriundas de diversas regiões de Portugal. O estar longe de casa e conhecer pessoas em situação idêntica à minha, obrigavam a uma aproximação grande entre todos que julgo que, de outro modo, não aconteceria. Outro aspeto, que guardo, era a grande variedade de projetos, que cruzavam as diferentes disciplinas (o Design e as Artes Plásticas).

Na minha altura, especificamente entre 2000 e 2004/5, havia uma sinergia muito grande entre os vários estudantes, que promoviam projetos e que sem serem neutros partilhavam o ativismo dentro e fora da escola. A ESTGAD tinha um carisma muito próprio e, sem dúvida, que os estudantes contribuíam em boa medida para isso. Devo referir, também, que a escola possibilitou boas condições de trabalho através das oficinas, bibliotecas e salas de estudo, e ainda através do apoio dado pelos diferentes técnicos das oficinas de serigrafia e gravura, fotografia, vídeo ou ainda a informática e reprodução, entre muitos outros.

Efetivamente, apenas frequentei regularmente a ESTGAD até 2005. Na altura, trabalhava na Associação Atelier Arte e Expressão nas Caldas da Rainha e também como designer freelancer. Em 2007, quando concluí o curso e terminada a minha relação com o Atelier, vim para Lisboa trabalhar para uma agência de comunicação, a Flúor Design, onde estive poucos meses. Ainda em 2007, entrei noutra agência, a Croqui Design, onde estive até ao final de 2011. Nesta agência, cresci como designer, aprendi as várias etapas do processo de trabalho, lidar com clientes e fornecedores.

Atualmente, tenho duas atividades, uma em part-time que me ocupa os fins-de-semana, numa loja no Largo do Intendente, em Lisboa, e a principal, como designer. Desde há dois anos que tenho vindo a trabalhar com algumas agências em regime freelancer ou diretamente com os meus próprios clientes. Como disse, sou designer gráfico de formação, mas, no entanto, o meu trabalho não se tem resumido apenas a esta área. Já fiz um pouco de tudo: desde coordenar e desenvolver projetos editoriais, projetos para a Web (User Interface Design), projetos de vídeo, entre outros. Na minha atuação, tento ser multidisciplinar e, sempre que necessito de serviços para os quais não tenho as competências, procuro criar parcerias com quem as tem. Não me imagino como um vendedor de logótipos, mas sim como um parceiro que opina e desenvolve visualmente conceitos, conjuntamente com o cliente. Parte do meu trabalho como designer pode ser visto em http://www.ruimiguelrosa.com

Na minha opinião, o designer não deve ser neutro mas ativo tanto na atuação como na mensagem que procura passar através do trabalho que desenvolve. Acredito também que é necessário uma maior autonomia por parte dos designers de forma a que conquistem o respeito que esta disciplina merece e que está quase sempre na última etapa da cadeia. O trabalho é visto como um aspeto técnico. Facilmente qualquer pessoa, com alguma determinação e talento, tem acesso a tutoriais e a programas de produção gráfica, para não falar dos vários cursos técnicos – de curta duração – que existem. No entanto, no meu ponto de vista, o design não é apenas técnico; é também uma disciplina com autonomia própria, ou seja, é uma forma de pensar e atuar, que através do olhar particular do designer deve contribuir para a inovação e desenvolvimento de qualquer projeto onde se insira.

Em paralelo, tenho outros projetos em curso, que envolvem o desenvolvimento de produtos e marca, que desejo lançar ainda este ano. Para além disso, frequento o mestrado de Antropologia, no ISCTE, em Lisboa, onde espero vir a desenvolver uma tese que relacione o design na sua génese própria e cultura.

O IPLeiria contribuiu positivamente na medida em que estudar na agora ESAD.CR foi uma etapa muito importante da minha vida pessoal e profissional. Através da formação superior, experimentei, explorei a criatividade, adquiri conhecimentos que me ajudaram a aceder ao mercado de trabalho. No entanto, senti um grande desnível entre a academia e a profissão. No período em que estudei nas Caldas e no meu curso em particular, não existia uma relação próxima com empresas, o que considero ter sido negativo.

Da Rede IPLeir@lumni espero que promova e aproxime os atuais e antigos estudantes, e que essas ligações propiciem novos horizontes pessoais e profissionais, presentes e futuros. Que possa contribuir também para a aproximação das várias escolas do IPLeiria – que, pelos mais diversos aspetos, eram na minha altura muito distantes.

Como sugestão para a Rede IPLeir@lumni, espero que continue a divulgar o testemunho e trabalho daqueles que passaram pelo IPLeiria e que são parte da história académica da instituição.

Para o testemunho curto, clique aqui…