Bruno Prates Ferreira

21 Março, 2014

O meu nome é Bruno Prates Ferreira e estudei no Pólo Educacional de Caldas da Rainha da Escola Superior de Educação de Leiria (ESEL), agora ESECS. Entre 1999 e 2003, frequentei o curso de Professores do Ensino Básico, variante de Educação Visual e Tecnológica (EVT).

Do meu tempo de estudante, guardo memórias muito boas! Foram, sem dúvida, os melhores anos da minha vida. O Pólo Educacional tinha um carisma único. O espaço era muito mais finito entre todos, existia um ambiente familiar. As aprendizagens eram partilhadas em tempo real. Os pequenos corredores pareciam caminhos largos onde os encontrões tinham sabor a abraços apertados. O convívio e a camaradagem preparou-nos, de uma forma oculta, para o ambiente da escola real. Para além de boas e variadas amizades, guardo os professores e o gosto que tinham em desempenhar as suas funções. Alguns deles ainda hoje me inspiram com alguma frequência, tanto que trabalhamos juntos em alguns projetos. Os funcionários eram de uma amabilidade fabulosa. Aquilo não eram aulas, aquilo era magia. Considero-me um privilegiado por beneficiar de tantas e tão boas memórias deste Pólo do IPLeiria.

O meu percurso fez de mim o que sou hoje. Comecei logo por ir trabalhar para Odemira, ou seja, a 320 km de casa. Lembro-me de chorar nos primeiros dias. Era a primeira vez que estava fora de casa e sozinho. Até hoje, e em 10 anos, passei por 11 escolas. Já fui professor de 1º ciclo, 5º e 6º EVT, 8º e 9º ET, cursos extraescolares de artes decorativas e técnicas de pintura para adultos, alfabetização em contexto prisional (Alcoentre e Vale Judeus), onde acumulei a função de coordenador dos cursos. Foram 10 anos repletos de experiências, partilhas e enriquecimento profissional e pessoal.

Atualmente, estou sem colocação há quase 1 ano. No último ano civil, trabalhei como professor apenas durante 3 meses e com horário incompleto. Tenho feito algumas formações dentro da minha área de interesse de forma a apetrechar-me de ferramentas que considero essenciais. Contudo, concorro quase diariamente a diversas ofertas.

Criei a página e registei a marca “desenhosdobruno”:  www.facebook.com/desenhosdobruno13   – projeto que consiste em desenhar cartoons, por encomenda, a partir de fotos e aplicar em diversos suportes, nomeadamente t-shirts. Comecei a fazer cartoon para imprensa em 1997. Pediam-me com frequência desenhos para oferecer. A situação de desempregado fez-me repensar as minhas potencialidades e pô-las em prática. Assim surgiu “desenhosdobruno” com página no facebook e a aguardar um site. Comecei na garagem de uns primos e já consegui alugar um espaço com luz natural para desenhar. Porém, “desenhosdobruno” está ainda numa fase de implementação para brevemente dar o salto, de forma sustentada, uma vez que ainda tenho alguma, pouca, esperança de ser colocado. Ser professor permite-me alcançar outras oportunidades, desde a formação à coordenação de projetos em associações ou entidades públicas e até mesmo privadas, “desenhosdobruno” é porta de entrada.

Pelo facto de estudar naquele microcosmos que foi o Pólo, o IPLeiria, através do ambiente de partilha dos professores que tivemos, modelou-me de modo a saber potenciar os poucos recursos, tanto interpessoais como técnicos ou científicos, tornando-os ferramentas essenciais.

Nos dias que correm, é curioso que, enquanto profissional em ensino, oiça dizer o oposto quando ironicamente sempre me senti um privilegiado por ser fruto de uma formação de Politécnico. Destaco a capacidade para criarmos e desenvolvermos projetos nas mais diversas áreas. Havia uma metodologia para o saber Fazer, saber Ser e saber Saber. Hoje, para mim, isso é fundamental e é o que me torna competitivo. Os meus projetos têm todos como base conversas informais com antigos e atuais professores do Pólo a quem recorro vezes sem conta, precisamente por me identificar com essa formação ativa, dinâmica e criativa, sem veleidades.

Espero que a Rede IPLeiri@lumni não seja um projeto com princípio, meio e um fim. Que seja algo que perdure no tempo e que recolha um número de testemunhos válidos, mas simultaneamente dê oportunidade a todos de intervir. Que sirva para uma plataforma de utilidade pública. Porém, espero que não seja mais um projeto cujos créditos sejam o fulcro da sua existência.

Uma rede só faz sentido se for Rede. Um entrelaçado de linhas é tapeçaria, um entrelaçado de distintas e resistentes linhas é uma Rede. Sugiro que a Rede vá mais longe indo lá mais atrás. Que busque nos mais antigos os testemunhos que façam da Rede uma plataforma de consulta necessária. Que encontremos na Rede uma oportunidade de ver satisfeita uma necessidade e, com isso, ter uma percepção da evolução, neste caso, do ensino e das experiências reais de vida dos intervenientes do IPLeiria e, quem sabe, mostrar à opinião pública o trabalho desenvolvido por um Politécnico. Que não seja uma montra, mas uma Rede!

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