Sónia Ferreira

28 Novembro, 2014

Sou a Sónia Ferreira e estudei na ESEL, agora ESECS, entre 2000 e 2004, onde tirei o curso de Professores do Ensino Básico – Variante de Educação Visual e Tecnológica.

Para mim, estudar na ESEL foi uma das boas experiências que tive na vida. Tive a felicidade de fazer o curso que queria e de fazer parte de uma turma unida, cooperativa, criativa e dinâmica. Alguns professores marcaram-me muito pela positiva, deixando bons exemplos e referências. Outros houve que me mostraram aquilo que eu não gostaria de ser nem de fazer. Senti grande disponibilidade por parte de alguns professores e de muitos dos funcionários.

Quando iniciei o curso já tinha dois filhos: uma menina com 2 anos e um rapaz com 1 ano. Fiz o caminho Caldas/Leiria/Caldas todos os dias, durante os 4 anos do curso e tive muito apoio da família e da minha turma.
Relativamente à formação adquirida, lembro-me de uma frase que nos foi transmitida por uma professora: ” A formação que estão a fazer aqui é como tirar a carta de condução: adquirem a teoria e só depois com a prática; ao longo da vida profissional, é que realmente aprendem…”. Esta frase, esta ideia, é reveladora de muitas verdades não só para nós, mas também para as crianças – o “aprender fazendo”. E ao longo das minhas práticas pedagógicas tenho verificado a necessidade e a facilidade das crianças em aprender, fazendo.

A formação obtida na ESEL, agora ESECS, abriu-me portas ao conhecimento e à vontade de saber mais. Reforçou em mim a consciência relativamente à missão que eu acredito que tenho nesta vida. Mostrou-me o caminho da cooperação, das parcerias.

A entrada no mundo do trabalho não foi, nem está a ser fácil. Também através da mesma professora, tive consciência cedo, talvez logo no 1º ou 2º ano, de que a situação não estava fácil para os professores. Após esta tomada de consciência comecei logo a pensar e imaginar alternativas: o que vou fazer então, pois é nesta área da educação que quero desenvolver os meus objetivos de vida. Lembro-me de, desde essa altura, dizer aos meus colegas que iria criar uma escola. Estou nesse processo agora, 10 anos depois de terminar o curso.

Foi assim que nasceu a ideia da Toca dos Láparos, comunidade onde os valores da partilha, cooperação e respeito pela Natureza estão bem presentes.

Acreditamos que somos a mudança que queremos ver no mundo.
Praticamos uma filosofia de vida em harmonia com a Natureza e com os outros.
Sabemos que é possível viver de uma forma sustentável.
Temos como princípios cuidar da terra, cuidar das pessoas, partilhar o excedente e definir limites para o consumo e a produção.

Através da partilha de saberes, queremos que cada um de nós estabeleça na sua rotina diária hábitos e costumes de vida simples e ecológicos, adote um estilo de cultura e de vida em integração direta e equilibrada com o meio ambiente. Pode conhecer melhor este projeto em http://tocadoslaparos.blogspot.pt/ ou seguir-nos em https://www.facebook.com/tocadoslaparos?ref=ts&fref=ts
As competências que tive de desenvolver foram muitas e continuo nesse processo. É uma questão de desenvolvimento pessoal que se vai refletindo na profissão. A que mais destaco é a capacidade de resiliência: nada é dado como garantido e a nossa capacidade de adaptação a novas situações, a novos conhecimentos e aos seres humanos que fazem parte das nossas vidas, de uma forma ou de outra, tem de ser muito trabalhada. Tenho vindo, também, a desenvolver a minha capacidade de ouvir, de me ouvir, de ouvir os outros.

Acredito na cooperação. Acredito que somos a mudança que queremos ver no mundo e acredito que a educação é a melhor arma que podemos usar para melhorar o mundo!

Para o testemunho curto, clique aqui…