António Luís

2 Março, 2017

Sou o António Manuel Marques Luís, hoje com 47 anos e frequentei o Instituto Politécnico de Leiria (IPL), na então PCR – ESEL [Pólo de Caldas da Rainha da Escola Superior de Educação de Leiria] entre 1996 e 2000, no Curso de Professores do Segundo Ciclo do Ensino Básico – Variante de Educação Visual e Tecnológica (EVT).

Como se percebe, frequentei o ensino superior de forma algo serôdia. Não como a maioria dos meus colegas, entre os 18 e os 22/23 anos, mas comecei com 27 e acabei com 31. E se isso me valeu algumas vantagens, também me valeu alguns olhares desconfiados…

Passado este tempo e tudo o que aconteceu com o ensino artístico em Portugal, permaneço a dar aulas dentro da área em que me licenciei, agora às duas disciplinas que resultaram da divisão (errada) da EVT – a Educação Visual e a Educação Tecnológica…

…Mas adiante.

No regaço das memórias guardo algumas noites divididas entre os locais de culto da cidade caldense, onde todas as catarses eram permitidas, digamos assim, e o trabalho diário – aulas, estágios, relatórios, frequências, etc., afinal o “normal” na vida de estudante.

No entanto, do ponto de vista pessoal, encarei o meu curso de forma séria e absolutamente prioritária, facto que, lá está, dava aso a desconfianças e aqui ali algum “gozo” por parte dos colegas mais novos, nada com que não tivesse conseguido lidar bem.

Já “não ia para novo” e, portanto, urgia que cumprisse rápida e dedicadamente os quatro anos da licenciatura, com vista a, com ela, assegurar o meu futuro profissional. E assim foi, muitas vezes com sacrifício pessoal e social. Mas a vida é feita de escolhas e do percurso que elas nos apresentam para depois trilhar.

Quando a realidade quase sempre precária de Pólo batia à nossa porta, lembro-me que as nossas “guerras” por instalações dignas foram quase diárias. Nos quatro anos do curso – um pré-Bolonha – o PCR-ESEL esteve em três locais diferentes: Pavilhões do Parque – belos edifícios mas frios, húmidos e quase humilhantes… – o novo edifício da então ESTGAD (onde nos sentíamos rejeitados pela “cultura” mais radical dos alunos daquela escola…) e finalmente, nos ateliers do parque, justamente as antigas instalações da ESTGAD onde as coisas pareceram mais normais, se assim se pode dizer.

O PCR-ESEL era na altura uma espécie de “patinho feio” do ensino superior de Caldas da Rainha e não raras vezes se vivia com o espectro do seu encerramento a mando do “centralismo” de Leiria, quanto mais não fosse porque tudo naquele pólo parecia errático e precário, a começar pela própria presença física algures na cidade de Bordalo…

Era assim que sentíamos as coisas, por mais que nos fosse garantido o contrário.

Lutou-se muito, entre reuniões com autarcas, com a direção do IPL e comissões e lá se foram resolvendo as coisas, mais pelo seu adiamento, digamos, do que pela sua resolução de raiz.

Durante a minha permanência em Caldas da Rainha, como estudante e depois como habitante, fui também colunista no semanário “Gazeta das Caldas”, onde as minhas crónicas eram sempre apreciadas, sobretudo as que abordavam temas ligados ao PCR-ESEL e à sua relação com a cidade e os seus poderes.

Terminei o curso, em junho 2000, com uma boa média (16 valores) e permaneci a viver em Caldas da Rainha mais seis anos, pese embora tenha ido leccionar para Alenquer, na EB 2,3 local. Seguiu-se a EB 2,3 de Mira, EB 2,3 de Mafra, de novo a EB 2,3 de Alenquer, depois EB 2,3 da Venda do Pinheiro e de novo a EB 2,3 de Alenquer (2005-2006).

Ente 2006 e 2009 lecionei na EB 2,3 de Arganil, no interior do distrito de Coimbra, tendo por isso regressado à minha cidade natal, depois de 10 anos em Caldas da Rainha. Foi na termal cidade que conheci a minha esposa e foi lá que nasceram dois dos meus três filhos.

Em Setembro de 2009 vim viver para região Autónoma da Madeira e é cá que permaneço, a leccionar EV e ET, na Escola Básica e Secundária de Santa Cruz, uma pequena cidade de 6 mil habitantes junto ao Aeroporto da ilha.

Paralelamente à minha atividade docente, escrevo regularmente em blogues e numa revista cultural e editei, em 2016, o meu primeiro livro, intitulado “Memória de Pedra” que é o somatório de cinco anos de escrita, reunidos em 164 crónicas e textos, distribuídos por 450 páginas.

Durante alguns anos desenvolvi também atividade intensa no domínio da escrita sobre a aviação militar, tendo assinado e publicado diversos artigos sobre esta temática em jornais e revistas nacionais e estrangeiras.

Nutro também uma pequena paixão pela fotografia, à qual dedico uma página pessoal onde publico as fotografias que vou tirando pelos locais onde passo:

http://magistraturadotempo.blogspot.pt/

e vou escrevendo – agora um pouco menos por falta de tempo… – aqui:

http://amagistraturadotempo.blogspot.pt/

e permaneço ligado à aviação militar, através de uma das páginas mais visitadas e mais importantes nesta matéria em Portugal

http://www.passarodeferro.com/

Voltando um pouco atrás, não é descabido afirmar que minha passagem pelo IPL foi intensa.

Fui durante um ano o representante dos alunos do PCR-ESEL no Conselho Pedagógico e fui, igualmente por um ano, o Presidente da Pró-Associação de Estudantes do PCR-ESEL, duas experiências muito enriquecedoras do ponto de vista pessoal e que, juntamente com uma boa mão cheia de excelentes docentes contribuíram para o meu desenvolvimento como cidadão ativo e responsável, com boa “bagagem” cultural, crítico e criativo.

Foram bons tempos, intensos, apaixonados, vibrantes, tempos de responsabilidade que me fortaleceram como individuo e me enriqueceram sob todos os aspetos.

Espero que esta rede de antigos alunos possa contribuir para que o IPL se mantenha como um excelente valor no ensino politécnico nacional, através da partilha de experiências, modos de ser e ver, entretecendo memórias e projecções no presente e no futuro, sempre rumo à excelência!

Para o testemunho curto clique aqui