Paulo Mauá

28 Março, 2018

Sou o Paulo Eduardo Mauá e frequentei o Mestrado em Comunicação Acessível (MCA) na ESECS, de 2015 a 2017.

No início, tudo era obscuro. Inédito. Um mestrado a distância. Mesmo com a especialidade em EaD pela Universidade Federal Fluminense, não sabia se o propósito seria cativante. O contacto feito por e-mail com a professora Carla Freire, começava a desfolhar lentamente se o curso me interessaria. Mas seria eu interessante para o IPLeiria? Que descobertas poderíamos traçar ao longo de dois anos de convívio? O que um engenheiro de formação e músico de paixão estava se intrometendo em um mestrado na área de educação e inclusão? Professora Carla e eu topamos o desafio e o mestrado “Ensino de Música para Cegos sem Braile: Desafio ou Loucura?” foi apresentado em novembro no auditório da ESECS. Mas até 2017, tive que descobrir cada uma das UCs, conhecer os companheiros e amigos de jornada, estudar autores desconhecidos ao longo da madrugada e deparar com os fusos (e confusos) horários e cultura entre Brasil e Portugal. Troquei sempre de grupo e não me preocupei em ficar com a “turma das notas altas”. O que valia: experimentar todos, suas vivências nas áreas de inclusão e paixões. Isso é o que interessa na vida. E contar com elas/eles nas dúvidas e, principalmente, com os tarimbados professores da escola. Foram meus pilares para o norte até o fim.

O meu propósito em realizar o Mestrado em Comunicação Acessível era colocar academicamente no papel a minha vivência à frente do projeto Música Transformando Vidas – PROMUVI – com pessoas com deficiência visual na cidade de Santos, Brasil. Com a base e estudo fornecidos e explorados nas disciplinas do MCA, e com a orientação da professora Sandrina Milhano, pude concretizar esse sonho com a tese do mestrado. Continuo à frente do projeto em minha cidade e agora (nem pensei nisso inicialmente) estabelecendo-o em Portugal, tendo a ESECS como base para a implantação do PROMUVI fora do Brasil. Além disso, estou preparando vários artigos científicos para 2018, realizarei um workshop em Portugal, na ESECS, em julho deste ano, aceitarei o convite para escrever o livro sobre a dissertação do mestrado, penso em dar continuidade e dar início ao doutorado, etc, etc, etc. Projetos não faltam.

Desde 2009, sou o Coordenador e Regente do Música Transformando Vidas e Tutor Virtual da disciplina de Inclusão em Educação Musical na Universidade Federal de São Carlos, além de palestrante do PROMUVI em diversas universidades no Brasil e no exterior. Continuo atuando como Consultor de Reengenharia de Gestão e Processos em empresas de navegação, construtoras e seguradoras, etc.

Sou também escritor de livros infanto-juvenis e quando estive na ESECS em novembro, o CRID lançou o meu título O CIRCO PANAPANÁ nos formatos braile e SPC. Pretendo lançar ainda esse ano o terceiro título da série: O CASTELO PANAPANÁ. A ideia permanente de crescimento do PROMUVI em se transformar em uma Escola de Inclusão Total na área de artes culturais para além da música. E gosto muito de aprender novos instrumentos musicais (trouxe uma Guitarra Portuguesa (a de Coimbra) aquando da dissertação do mestrado em novembro de 2017 e de viajar pelo mundo para lugares novos e namorar bastante a Malu (essa mulher que não existe…) e curtir as filhas em suas descobertas profissionais e de vida e…

O IPLeiria foi fundamental na consolidação académica e troca de vivências nas novas formas de trabalhar as investigações rotineiras de socialização, inclusão, recuperação da cidadania e autoestima de cada um dos integrantes do projeto e de mim mesmo.

Da Rede IPLeiri@lumni espero a expansão da troca de experiências com outros profissionais da área de inclusão social e musical. Aprender a aprender sempre. Espero também um intercâmbio virtual permanente entre os participantes (com data marcada pela Rede) e, se possível, periodicamente ao vivo no IPLeiria, para os que puderem comparecer.

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