Isabel Reis

2 Julho, 2018

O meu nome é Isabel Maria Dias dos Reis e frequentei o curso de Educação de Infância na ESECS, entre 2006 e 2010.

Quando entrei já tinha 40 anos de idade e 20 de experiência como Auxiliar de Ação Educativa. Tinha como objetivos desenvolver-me pessoal e profissionalmente, e nomeadamente, conseguir uma requalificação profissional dentro da área onde já trabalhava.

Devo dizer que os objetivos foram não só atingidos, como superados. Efetivamente, durante o curso fiquei surpresa pelo que descobri na relação com os outros (professores e colegas). Tinha dúvidas se conseguiria acompanhar a geração mais nova, tanto a nível académico como social. No primeiro aspeto, determinada em superar, até porque a aposta foi grande, dado que pedi licença sem vencimento durante todo o tempo do curso.

Na verdade, tinha sido trabalhadora estudante desde o 7º ano e desejava saber o que conseguiria atingir num “trajeto académico normal”. No segundo aspeto, abdiquei da parte recreativa (saídas à noite, praxes…), porque o meu foco era a parte académica, mas mesmo assim foi muito gratificante. O mais surpreendente foi descobrir que as pessoas me reconheciam capacidades de liderança, dado que me escolheram para ser delegada de turma e de curso. Além disso, o curso foi muito significativo, pois “aquilo não era abstrato para mim”. A camaradagem ficou para a vida, se bem que agora só através do facebook, mas sinto-me ligada a elas para a vida. A relação com os professores, na generalidade, foi também muito significativa, transmitindo-me ferramentas que hoje considero imprescindíveis para continuar a aprender. A parte menos boa do curso foi o estágio final que me deixou um amargo de boca. Discordo dos moldes em que nos foi proposto.

Depois de sair da ESECS, ainda fui trabalhar como auxiliar de uma EB1 em Fátima, uma experiência que considero riquíssima, pois permitiu-me usar já algumas ferramentas adquiridas no curso. Durante este período fui convidada para abrir e coordenar uma creche na minha terra, em Olival, Ourém. Uma IPSS numa pequena aldeia do interior desertificada e com poucas crianças, mas 6 meses depois, vim começar a montar a creche e a formar a equipa. Foi, e continua a ser, um enorme desafio pessoal e profissional. Adoro o que faço porque me foi dada oportunidade de implementar a filosofia educativa que considero mais adequada, ou seja, uma abordagem holística com atividades muito ligadas à natureza e respeitando a natureza da criança. É, de facto, um projeto de sucesso, porque as famílias nos procuram pelo trabalho que fazemos. Temos consciência de que somos uma creche de referência aqui na área, o que é uma grande responsabilidade. Se nos quiserem espreitar aqui fica o link:

https://www.facebook.com/CentrodeApoioSocialdoOlival/

Gostaria de fazer ainda um Mestrado. Mas a dedicação a este projeto deixa-me pouco tempo e energia para mais. Além disso, já não tenho 30 anos!

A passagem por este curso teve uma influência determinante na minha vida pessoal e profissional.

Gostaria que a Rede IPLeiri@lumni me mantivesse informada dos eventos e formações no âmbito da minha área profissional.

Sugeria que, esporadicamente, organizasse encontros com os alunos que passaram pela ESCES, no mesmo período. Sugeria, ainda, um estudo que investigasse este fenómeno de as pessoas ingressarem no ensino superior mais maduras (no meu curso éramos 15) e as “nuances” de género e, ainda, perceber em que medida isso afetou as suas vidas. É muita coisa para um estudo só… mas podem ser vários. É que durante o curso questionava-me sobre o que leva tantas mulheres, muitas delas com filhos pequenos e a trabalhar, a fazer tamanho sacrifício. É que eu não tive filhos…

Para o testemunho curto, clique aqui