Raquel Coelho

25 Junho, 2019

Estou fora de Portugal desde fevereiro de 2010 e é quase tempo de voltar! Estive na Guiana, nos Emirados Árabes Unidos, e agora no Brunei. Em Junho de 2019 concluo o ambicioso projeto em que estou a trabalhar. Trata-se de um programa que abrange todas as escolas do ensino público em Brunei Darussalam, na pequena ilha do Bornéu, na Ásia. Este projeto pretende ajudar a melhorar a qualidade dos processos de ensino e aprendizagem. Ser coach de professores do 1º CEB, com especial foco em literacia e numeracia tem sido uma fonte de aprendizagem para mim, enquanto professora e enquanto formadora. Mal posso esperar por aplicar tudo o que tenho pregado e experimentado com os meus futuros alunos, a partir de Setembro!

Se quiserem saber onde estava há 7 anos atrás, quando fui entrevistada pela Rede Alumni, sigam o link. Deixo-vos aqui as principais diferenças entre a minha vida há 7 anos e a minha vida agora:

– Conheci o meu parceiro de sonhos, desafios e amor.

– Fiz um mestrado em TESOL na Universidade de Nottingham enquanto preparei o casamento e duas inspeções na minha escola.

– Percebo agora melhor o meu sentido de urgência em tudo o que faço e quero, e uso essa força para persistir quando o ânimo ameaça faltar.

– Percebo melhor que a vida tem altos e baixos e que cada momento nos servirá, mesmo que na altura não consigamos compreender a aprendizagem a fazer.

– Estou quase a voltar para Portugal, onde quero enraizar-me e contribuir para a minha comunidade local.

Voltando uma década atrás, aos tempos de estudante, se me perguntarem que conselho tenho, partilho as sábias palavras de Hillel:

“Se eu só for por mim, quem sou eu?

Se eu não torcer por mim, quem torcerá por mim?

Se não for agora, então quando?”

Acredito apaixonadamente que somos melhores em comunidade. Nas comunidades certas, que nos estimulam, que cuidam de nós, que nos provocam. Ao sair da minha cabeça, dos meus problemas, crio espaço para ajudar outras pessoas. E nesse processo acabo por aprender e por me sentir melhor por ter contribuído. Ao mesmo tempo, tenho de cuidar de mim e tenho de aprender a pedir ajuda quando preciso. E quanto à pergunta “se não for agora, então quando?” Cada um de nós tem de descobrir o que nos apaixona, o que nos incendeia de curiosidade e vontade de agir, porque a vida é curta! Acredito profundamente que cada um de nós tem um papel importante a realizar nesta vida. Coisa de pessoa não religiosa? Talvez! Aproveito esta vida ao máximo porque sei que a tenho e não sei se tenho mais alguma. Enquanto estudante podes pensar que és muito nova e que tens tempo de experimentar tudo mais tarde, mas o amanhã não é garantido. Com isto não sugiro uma fuga para a frente! Sugiro uma atitude presente, de viver cada momento com intensidade, dedicação e amor. Procura o teu grupo de amigos, estudem, ajudem-se uns aos outros a fazer uma diferença positiva em tudo o que façam. A pergunta a fazer é sempre: qual a consequência desta decisão? Uma coisa tão simples como meter conversa com as senhoras da cantina, que cozinham para ti diariamente, é algo que pode aquecer a alma a alguém. Já fizeste alguém sorrir hoje?

Para o testemunho curto, clique aqui