Raquel Coelho

3 Maio, 2012

O meu nome então é Raquel Coelho, estudei na Escola Superior de Educação de Leiria, tirei o curso de Professores do 1º Ciclo, e terminei em 2002! Já há dez anos, quase onze!

Na altura, o porquê de ter escolhido o IPL foi mais uma opção geográfica, uma vez que tinha e tenho familiares a viver na mesma região do país, aliado também a um fator “acidente”, na verdade! O que aconteceu foi que, deixei para muito tarde o concurso para a universidade. Porque eu não tinha a certeza se queria tirar um ano a melhorar notas, ou se queria tentar entrar logo naquele ano. Então deixei assim mesmo para o último dia! Lembro-me de estar ainda na fila a preencher papéis e todos os meus colegas já tinham preenchido os formulários e feito a sua revisão, e eu ainda estava a preencher! Recordo-me de ver os códigos e existiam dois códigos para a Escola Superior de Educação de Leiria, o que eu estranhei, mas como estava na fila para entregar os papéis, não deu para me informar e pensei: “ ah, um destes deve estar errado…”, e então inscrevi-me nos dois. Quando saíram os resultados, vi que estava colocada nas Caldas da Rainha, e eu nem me lembrava de ter concorrido para as Caldas da Rainha e pensei que fosse um erro! Porque na altura havia, acho que isto foi em 1998, o polo das Caldas da Rainha, e esse era o tal segundo ou o primeiro código! Então foi assim meio que por um “acidente”! Na altura, até pensei em pedir para mudar para Leiria, mas acabei por gostar e de ficar lá, e fiquei!

São bastantes as experiências positivas que vivenciei no IPL! E sobretudo, acho que gostei mais dos últimos anos do curso. O facto de entrar na realidade social da profissão, o estágio…Participei também já para o final do curso, no programa ERASMUS, através do qual estudei em Bruxelas. E foi aí que nasceu a minha paixão pelo ensino e aprendizagem das línguas estrangeiras! Um dos professores que mais marcou a minha vida como estudante foi um professor em Bruxelas. Lembro-me de ele me passar para as mãos um livro de James Asher sobre “Total physical response”, e basicamente, ele propôs-me que ensinasse Português, a ele e à turma na qual eu estava integrada, através daquela metodologia. Aceitei o desafio e gostei imenso! Quando voltei a Portugal, lembro-me de dar aulas de inglês a crianças do 1º ciclo, e português a imigrantes de leste em regime de voluntariado. Fiz também a tese de final de curso na mesma area. A professora Graça Seco foi minha orientadora e ela foi uma estrela! Como é! Apesar de não ser na área dela, interessou-se imenso e deu-nos muito apoio. Foi também uma professora que me marcou muito, sem dúvida!

Curiosamente mantenho um contacto muito reduzido com pessoas do meu tempo de estudante, mas aquelas com as quais estou em contacto até à data fazem parte de uma rede muito próxima. Como família, basicamente. O meu afilhado é filho de uma rapariga que foi minha colega de curso, por exemplo.

Acho que o IPL tem algumas ofertas formativas bastante atraentes. Eu conheço pessoas que já fizeram aí pós-graduações e também mestrados, e gostaram. Se estivesse em Portugal, talvez considerasse o mestrado em Desenvolvimento Comunitário lecionado no IPL, uma vez que trabalhei dois anos na área da educação para o desenvolvimento. Mas considerando que estou tão longe, e simultaneamente, neste momento estou a trabalhar com crianças privilegiadas, acho que não seria muito adequado estar a estudar nessa área agora. Penso que seria mais dentro da temática da língua inglesa como língua estrangeira, e portanto, fora de Portugal também.

Após ter terminado o meu curso, o meu primeiro projeto foi precisamente com o IPL, em colaboração com a ex-FTC, em Consultoria Informática. Trabalhei junto de escolas do 1º Ciclo nas Caldas da Rainha, na área das TIC. Depois disso, e sendo completamente viciada em educação, sempre dei aulas a tempo inteiro em escolas públicas em vários sítios; na Madeira, no Algarve, em Lisboa…por aí fora! Em simultâneo, também fui sempre participando em projetos de natureza diversa. Continuei por exemplo a dar aulas de inglês ao 1º Ciclo, nas turmas às quais eu dava outras disciplinas.

Dei também formação a professores de inglês-língua estrangeira para o Ministério da Educação, Coordenei durante um ano o APPInep, que é o núcleo de ensino no primeiro ciclo e pré-escolar da Associação Portuguesa de Professores de Inglês.

E pelo meio, fui escrevendo, sempre na área da educação. Sou coautora das orientações programáticas para o ensino de inglês no 1º Ciclo, criei alguns materiais pedagógicos para o ensino de inglês como língua estrangeira para a Porto Editora, e acho que é isto, assim de repente.

Neste momento acho que estou numa fase de transição. Porque passei dois anos na Guiana, trabalhando com o Ministério da Educação local, dando formação a professores e fazendo trabalho de consultoria sobre didáticas de aprendizagem das línguas e da matemática. E neste momento, estou a lecionar numa escola de currículo britânico nos Emiratos Árabes! Que é um país em que nunca me tinha imaginado a viver! Lamentavelmente, posso dizer que foi a falta de flexibilidade do nosso sistema que me empurrou para aqui. Como o meu projeto de voluntariado terminou em dezembro, como era previsto, voltei para Portugal com a intenção de arranjar trabalho temporário até regressar à minha escola em setembro, visto que sou vinculada. Mas foi muito complicado e não foi sequer possível antecipar o final da minha licença sem vencimento. Como não sou de ficar de braços cruzados à espera, e porque tive conhecimento através de colegas que existiam vagas em escolas públicas, expus a situação à Direção Geral de Recursos Humanos de Educação, que até à data ainda não meu deu resposta. Resultado, não pude concorrer para estas vagas, pois estava de licença sem vencimento. Portanto, eu estava disponível, as escolas necessitavam de professores, mas não conseguíamos coordenar as duas situações. Por volta desta altura, em janeiro de 2012, comecei a enviar currículos e no prazo de duas semanas, estava a entrar num avião para os Emiratos Árabes! Posso dizer que foi mais um “acidente” feliz na minha vida, porque estou a gostar muito de aqui estar!

Fora da esfera profissional, neste momento não tenho nenhum projeto… Porque estou assim um bocado, como já disse, numa fase de transição. Estou a pensar em que universidade quero tirar o mestrado, porque acho que aqui tenho mais tempo.

Tenho viajado bastante. Sim, esse é o lado pessoal e mais-valia que tirei da minha estadia de dois anos na Guiana! Dantes, posso dizer que era completamente viciada em trabalho e neste momento estou num processo de cura muito bom! Consigo ter puro tempo de lazer e estar feliz sem estar a trabalhar. Tem sido diferente, porque eu também era feliz anteriormente, mas estava sempre ocupada, andava sempre com algum projeto em mãos. Agora, no entanto, consigo desligar do trabalho (quase completamente) e viajar.

Sem dúvida que estaria disposta a participar em aulas abertas promovidas pela Rede! Acho que seria interessante. Muitas vezes se diz que toda a gente sabe o que é a profissão de professor, o que não penso ser verdade. Ser professor é um trabalho muito fascinante e intenso. Eu costumo dizer que ou tenho um dia muito bom ou um dia péssimo! É um trabalho que mexe muito connosco, pelo impacto que pode ter nas pessoas com as quais trabalhamos.

Para além do percurso que é considerado normal na vida de um professor, como dar aulas numa escola, existem mil e uma possibilidades de atividades diferentes para se fazerem e de novas aprendizagens. Lembro-me que fui descobrindo isto ao longo da minha carreira, ninguém me falou destas possibilidades! Por isso acho que sim, acho que seria interessante para abrir novos horizontes.

Vivemos num momento em que a flexibilidade e a criatividade são essenciais e espero que a Rede IPLeiri@lumni, possa abrir horizontes. Porque o networking tem muito potencial, as pessoas inspiram-nos!

Acho que na mesma linha do que estava a dizer antes, se calhar seria uma boa sugestão criar uma espécie de rede de inspiração. Em que fossemos buscar pessoas e trocar ideias. Talvez também uma angariação de fundos para bolsas de estudo, para futuros estudantes, através dos alumni. Organização de atividades para alunos do ensino secundário, suponho que o IPL já faça isso dentro de outros contextos. Por fim penso que também seria uma mais-valia a organização de eventos formativos para atuais alunos. Talvez haja experiências que sejam interessantes de se partilhar e até mesmo trabalhos que estejam em curso.

Sem dúvida que a Rede será uma importante ferramenta para o desenvolvimento da Região! A inclusão de ex-alunos pode abrir portas para novos percursos, novas possibilidades. E muitas vezes, o boca-a-boca tem muita importância. Por isso, neste sentido, acho que sim!

O conselho que deixo aos atuais estudantes é que tirem o máximo partido de cada momento e de cada oportunidade. Que se organizem de forma a poderem aproveitar a vida social e a vida académica. Porque acho que os dois lados são muito importantes, e é possível a coordenação!

Acho também que devem pensar “fora da caixa”. Basicamente, se vos derem duas opções, pensem numa terceira! Nem sempre há, mas é essencial sermos criativos! Não só em termos de sobrevivência, mas também no que diz respeito ao nosso crescimento!

A terminar, antigos alunos, os novos alunos precisam de vocês! Precisam de inspiração! Venham cá, é um espaço nosso! Peguem na vossa experiência, no vosso percurso e venham à Rede alumni, juntem-se à Rede e inspirem!