Joel da Palma

6 Julho, 2015

Chamo-me Joel da Palma e entre 2004 e 2009 frequentei, na ESTM, o curso de Biologia Marinha e Biotecnologia, Ramo – Biotecnologia.

Quando iniciei os meus estudos, a ESTM era apenas um pequeno polo com instalações inadequadas e poucos alunos divididos pelos seus 4 cursos. Porém, o que faltava em qualidade material era largamente compensado pelo calor humano e companheirismo entre docentes e alunos. Quando terminei a minha licenciatura, aumentou bastante o número de alunos e as instalações foram melhoradas, trazendo mais possibilidades de investigação científica e académica. No entanto, o espírito familiar que conheci continuou sempre presente. Para mim esta sempre foi uma das qualidades distintivas da ESTM: a familiaridade com que alunos e comunidade docente conviviam diariamente.

No final da licenciatura, decidi que queria fazer investigação fundamental. Na altura, os laboratórios de investigação ainda se encontravam em desenvolvimento e com a ajuda e suporte de professores da ESTM concorri a uma bolsa de integração na investigação a fim de realizar a minha tese de licenciatura no Instituto de Higiene e Medicina tropical (IHMT), em Lisboa. Lá estudei a reação imunitária do mosquito quando infetado pela parasita da malária.

Após terminar a licenciatura continuei no IHMT durante mais um ano até que decidi partir para Lausana na Suíça, com o objetivo de iniciar o Mestrado em Biologia Médica (vertente de Imunologia e Cancro). Realizei a minha tese de mestrado num Laboratório de Virologia, tendo sido convidado a ficar, logo a seguir, para o doutoramento, em cuja fase final me encontro atualmente, faltando-me apenas defender a tese.

Durante o meu doutoramento estudei uma proteína humana responsável por diversas funções celulares. Trata-se de uma enzima de enorme interesse clínico-farmacêutico, constituindo um dos principais reguladores da síntese de colesterol, e sendo crucial também no ciclo de vida de vários vírus causadores de febres hemorrágicas no noroeste africano e na América do Sul. Estudei em detalhe o modo de ativação desta proteína e desenvolvi, paralelamente, um método adaptado para o teste em série (high-throughput screening) de milhares de potenciais inibidores desta mesma enzima. Este método está a ser alvo de uma patente provisória, e neste momento o laboratório encontra-se a estreitar colaborações com companhias farmacêuticas.

Uma proposta para realizar um pós-doutoramento num laboratório canadiano irá permitir-me continuar o trabalho em torno desta proteína, numa vertente mais virada para modelos animais e descoberta de novas funções celulares.

Para além disto, desde há algum tempo que me interesso pela divulgação científica, fazendo parte de uma associação – BeyondLab – que tem como objetivo desenvolver e organizar seminários e outros eventos a fim de promover o contacto entre a comunidade científica, a população mas também entre jovens empreendedores e investidores. Mais informações emhttp://lausanne.beyondlab.org.

Atualmente, integro também o comité organizador do Primeiro Encontro de Microbiologistas da Região de Lausana.

A contribuição da ESTM e, principalmente, dos seus docentes na minha formação académica e pessoal é inegável. Apesar do inconveniente de vir de um pequeno Instituto Politécnico, a solidez dos ensinamentos práticos e teóricos nunca me fizeram sentir inferior a investigadores formados em universidades de renome. Também aprecio bastante o suporte dado pelo IPLeiria e pela ESTM ao desenvolvimento científico e tecnológico produzido pelos seus estudantes e docentes que, em grande parte, contribuirá para a dinamização de um centro de ensino e investigação de excelência.

Espero que a Rede IPLeiri@lumni continue a crescer e é com prazer que recebo informações sobre as realizações e desenvolvimentos de atuais e antigos estudantes. Para o seu desenvolvimento, proponho a promoção de eventos que permitam o contacto entre antigos alunos (encontro de alumni). Um outro conceito interessante seria o estabelecimento de uma rede internacional de alumni nas cidades europeias com mais representação. Esta rede de “embaixadores IPLeiria“ permitiria ajudar, através de um primeiro contacto, os atuais estudantes que porventura queiram prosseguir os seus estudos/trabalho nessas cidades.

Para o testemunho curto, clique aqui…