Marlene Santos

9 Novembro, 2015

O meu nome é Marlene Santos e, entre 2010 e 2013, frequentei o curso de Solicitadoria, na ESTG.

Quanto à minha passagem pelo IPLeiria, posso traduzi-la numa citação de Antoine de Saint-Exupéry: “Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós”.

Desde que soube que tinha ingressado no curso de Solicitadoria, guardo todas as memórias, as boas e as menos boas. Todas elas nos fazem, inevitavelmente, crescer e evoluir. E, sem dúvida que, analisando a pessoa que era, e a pessoa que sou hoje, houve um crescimento, uma evolução, que se deve, em grande parte, às experiências vividas durante os três anos de licenciatura.

Desde cedo, ambicionei frequentar o ensino superior, mas devido a alguns problemas de saúde (que felizmente já ultrapassei), teria sempre de ingressar num curso em Leiria, por ser o local mais próximo da minha cidade, Pombal.

Como a minha inscrição foi realizada em segunda fase, e o número de vagas para a minha primeira opção, na ESECS, era apenas de duas, ingressei no curso de Solicitadoria. Por isso, costumo dizer que Solicitadoria não foi amor à primeira vista…

Lembro-me, como se fosse hoje, do primeiro dia que cheguei à ESTG. Foi numa quinta-feira, um dia depois de saber que tinha ingressado no curso. Sabia que as aulas já tinham iniciado há algum tempo e não queria perder mais matéria.

Mas o primeiro semestre foi realmente o mais difícil por diversos motivos.

Recordo-me, também, de ter saído a chorar da primeira aula que tive, numa das áreas do Direito. Não compreendia a terminologia jurídica usada pelo Professor, e pensei que não ia conseguir adaptar-me.

Agarrei-me a tudo quanto podia para começar a compreender aquela linguagem específica e técnica, e, pouco a pouco, à medida que me fui familiarizando com o curso, fui-me apaixonando pela Solicitadoria.

Jamais esqueço os Professores que me acompanharam nesta caminhada. Guardo-lhes todo o carinho e respeito. E não posso esquecer outras pessoas que fazem parte do Instituto, que sempre tiveram um sorriso para nos dar e uma palavra amiga para dizer: as funcionárias dos bares e das cantinas e o senhor Carlos, segurança do edifício D. Recordo, ainda, a nossa colega Joana Pardal, que faleceu num acidente de automóvel, mal tinha começado o ano letivo, e, claro, todos os outros colegas de curso, sendo que alguns que se tornaram verdadeiros amigos. Guardo tudo e todos com imenso carinho.

Terminado o curso em Junho de 2013, iniciei em setembro desse ano o Mestrado em Solicitadoria de Empresa, na mesma escola e, neste momento, encontro-me na fase final – a dissertação -, que posteriormente será objeto de defesa.

Em Junho de 2014 iniciei o estágio na Ordem dos Solicitadores e Agentes de Execução (extinta Câmara dos Solicitadores), que decorreu até Julho de 2015. O referido estágio terminou com a realização dos exames finais, em que obtive a média de 17 valores, melhor média a nível nacional. Foi muito graças aos conhecimentos e ferramentas que adquiri durante a Licenciatura que alcancei aquela nota.

Atualmente, e em termos profissionais, encontro-me a trabalhar num escritório de advogados, como funcionária forense. Estar a trabalhar na minha área de estudos, é ótimo, mas também raro, dada a infeliz realidade que atravessa o país, designadamente, no âmbito do (des)emprego. Sem dúvida que os bons resultados, tanto no que respeita à média final de licenciatura, como à média dos exames da OSAE, influenciaram a escolha do meu empregador aquando da entrevista.

Contudo, tenho recebido várias propostas a nível profissional e, portanto, nunca se sabe se, num futuro próximo, embarcarei e arriscarei em novas experiências.

Sem dúvida, que o meu objetivo primordial é lecionar na área do Direito e, mais tarde, constituir, com alguns colegas e amigos, uma sociedade de solicitadores, advogados e agentes de execução.

A passagem pelo ensino superior contribui significativamente para a formação profissional e pessoal de qualquer estudante. Quanto a mim, não foi diferente.

As dificuldades vividas aquando da adaptação à nova escola, aos colegas, aos Professores e métodos de ensino, fizeram-me crescer ao nível pessoal. No que tange ao crescimento profissional, sem dúvida que essa é a mais notória. Para sermos bons profissionais, é necessário exigência, porque daí vem o sucesso.

Sempre fui muito exigente comigo e, por isso, nunca me chocou a exigência dos Professores da ESTG, especialmente, daqueles que passaram na minha vida académica durante o curso de Solicitadoria. Muito pelo contrário, eram o mote para conseguir mais e melhor, nunca deixando de parte os valores que me definem enquanto pessoa. Sempre fui competitiva sim, mas comigo mesma. Se tinha uma determinada nota mas achava que conseguia mais, ia a melhoria em busca disso e, na maioria das vezes, conseguia subir.

Tanto é que, terminada a licenciatura iniciei o Mestrado em Solicitadoria de Empresa, também na ESTG, onde a exigência era ainda mais elevada, mas sempre com objetivo de crescer profissionalmente, uma vez que pretendo lecionar e o mestrado é imprescindível para tal.

E, de qualquer modo, se mesmo assim não pudesse trabalhar na minha área, ficando, de certo modo, prejudicada a valorização profissional, sempre ficaria a valorização pessoal, que é tão importante como a primeira.

Considero que a criação da Rede IPLeiri@lumni foi um passo no sentido dos antigos estudantes poderem manter o contacto com a escola, e os atuais e futuros alunos terem a noção de que não somos esquecidos, depois de terminada a formação académica no IPLeiria.

Quem, por ter concluído a formação, deixa o IPLeiria fisicamente, poderá continuar em contacto com o Instituto e com os colegas, existindo a partilha de experiências que, certamente, encorajará os atuais estudantes, e deixará curiosos, quiçá, os futuros estudantes.

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