Ana Tavares

11 Abril, 2019

O meu nome é Ana Jael Tavares, frequentei o curso de Professores do ensino Básico – 1º Ciclo na antiga Escola Superior de Educação de Leiria, hoje ESECS, entre os anos de 1999 e 2004.

Correndo o risco de soar a cliché, as melhores memórias dos meus anos de estudante foram partilhadas com os amigos, muitos dos quais mantenho até hoje, apesar da distância geográfica. Foram anos de autoconhecimento, com muitos momentos inesquecíveis, mas não sem dores de crescimento. Vivíamos com aquela energia de quem quer mudar o mundo, ou pelo menos, um cantinho do seu mundo. Rir e aproveitar cada segundo, cada momento, cada conversa na madrugada até ser dia.

A ESEL era o nosso “amor azul”. A nossa casa longe de casa. Desde os funcionários, aos professores, à direção da escola, sentia que não era mais um número, como se calhar acontece em muitas universidades. Conheciam-me pelo nome, sabiam quem eu era, preocupavam-se. Aprendi muito. Não foram todos assim, mas foram-no, pelo menos, aqueles que valem a pena recordar.

Tive a oportunidade de pertencer à Associação de Estudantes e, mesmo com a verdura dos anos e a inexperiência, dar o meu melhor, apoiar os meus colegas e realizar aprendizagens muito diversas, mesmo com aquilo que correu menos bem. Toda essa amálgama de experiências fez-me crescer e adquirir competências para a minha vida pessoal e profissional. Depois de Leiria, eu nunca mais fui a mesma. E ainda bem.

Após a conclusão do curso, não tive um percurso fácil no que diz respeito à integração no mercado de trabalho. E também não queria dizer adeus à minha “linda Leiria”. Contudo, a minha capaciade de resiliência não me deixou desistir. Fui animadora num Jardim de Infância e, mais tarde, num ATL. Até que a vida se encarregou de me mandar embora da minha cidade adotada. Trabalhei em vários locais como professora titular de turma no 1º Ciclo, de apoio e das atividades de Enriquecimento Curricular. Pelo meio, fiz duas Pós Graduações, uma em Inglês no 1º Ciclo e Pré Escolar e outra em Educação Especial, domínio Cognitivo e Motor. A minha vontade de abrir os meus horizontes do conhecimento levou-me também a fazer um curso de Língual Gestual, na Associação Portuguesa de Surdos. Contudo, sentia-me frustrada, pois o panorama de emprego em Portugal revelava-se cada vez mais difícil. Além disso, sentia em mim uma grande vontade de ter uma experiência noutro país, pelo menos por curto periodo de tempo. Angola  parecia uma hipótese muito forte, mas acabei por vir parar ao último lugar que imaginei – Macau.

Não tinha particular interesse pela cultura asiática e imaginava Macau como um local longínquo, cheio de casinos, pessoas muito diferentes e uma língua imperceptível. Mas quando me surgiu a oportunidade de rumar para cá, agarrei-a sem pensar duas vezes. E aquilo que seria uma experiência de poucos meses, transformou-se já em 6 anos. Comecei por dar aulas de Português a crianças no Instituto Português do Oriente, até que surgiu a oportunidade de lecionar na Escola Portuguesa de Macau, onde estou até hoje. Nesta escola, já tive experiência como professora de Educação Especial, mas neste momento encontro-me como titular de uma turma do 1º Ciclo.

Na Escola Portuguesa de Macau, apesar do seu curriculo português, enfrento desafios muito singulares desta região. A maioria dos meus alunos não têm o Português como Língua Materna, apesar de terem algum domínio da língua. Mas têm uma sede imensa de aprender e isso é muito motivante. Todos os dias aprendemos juntos, com muita alegria e sentido de humor.

Esta terra deu-me muito, muito mais do que alguma vez imaginei: um lar, uma família, amigos do coração e um fascínio imenso por esta cultura, tão complexa, tão diferente da nossa.

E, ao contrário da opinião generalizada de quem não conhece este território, o português não morreu aqui. O Governo de Macau e as diversas instituições de raiz portuguesa têm feito um grande esforço para a divulgação da língua e cultura portuguesa no território. Notam-se cada vez mais crianças, jovens e adultos com vontade de aprender a língua de Camões, a qual ainda é uma das línguas oficiais de Macau. Existem, por isso, oportunidades profissionais interessantes para quem tenha o desejo de ter uma experiência enriquecedora, fora de Portugal.

Desde que acompanho a Rede Alumni, sinto-me mais próxima da minha cidade querida, de antigos colegas, amigos e conhecidos e, no fundo, do meu país.

Deixo como sugestões à Rede Alumni que continue ativamente na Web a divulgar as atividades promovidas pelo Politécnico de Leiria, como tem feito e que promova mais encontros e atividades específicas para antigos alunos. Bem hajam!

Para o testemunho curto clique aqui